Pular para o conteúdo principal

1325 - PERIPÉCIA TEATRO


Participante do Fringe, a companhia portuguesa Peripécia Teatro toma como base para o espetáculo a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que exorta os Estados membros à inclusão das mulheres na construção e manutenção da paz. Conduzido pelo talentoso trio de atores, Ángel Fragua, Noelia Domínguez e Sérgio Agostinho sob a direção de José Carlos Garcia, a montagem passou por São Paulo integrando o Festival Ibero-Americano de Teatro realizado no Memorial da America Latina. 

No espetáculo 1325, três avós vivem num espaço habitado por roupas e memórias e são elas que nos guiam pelo universo da mulher e sua relação com a paz. Por meio de uma narrativa formada por vários quadros o público é convidado a conhecer diversas situações,onde a mulher é a protagonista, quer seja na luta pela preservação e manutenção da vida, como porta voz em processos de paz nas regiões de conflito ou como as que colocam em risco sua própria vida pela igualdade e justiça de um povo.


A participação do grupo português no Fringe é um achado dentro das centenas de peças que integram o evento, que novamente, comete o erro de não destacar boas montagens que poderiam estar melhor divulgadas caso passassem por uma curadoria durante a seleção.

O espetáculo abusa com qualidade das 1325 peças de roupas que compõem a cenografia, que no início do espetáculo ambientam uma espécie de brechó onde as três senhoras costuram, passam  e escovam os casacos. Estes mesmos adereços vão se transformando de forma muito criativa nas cenas que seguem. Destaque pela belíssima cena que remete ao domínio nazista onde a mesma arara com os casacos, que ao ser girada revela nos braços das peças o símbolo judeu. Em seguida surge um macacãozinho num cabide que é animado pelo ator Sérgio Agostinho e se transforma num bebê. Ao longo da montagem pilhas de roupas vão se transformando em um mapa da África ao abordar a difícil condição das mulheres no país, ou num muro, numa bela cena sem palavras que trata dos limites entre Israel e a Palestina.


1325, utiliza ainda outros elementos importantes para a ambientação do espetáculo, como um rádio com fita cassete operado pelos próprios atores que além de conduzir a trilha sonora de toda a peça, ocupa um lugar especial no brechó das três senhoras. Há ainda um pequeno móvel antigo de costura que se abre e toma funções diferentes ao longo do espetáculo. Outra qualidade é a forma como o trio utiliza os figurinos que, percebe-se, estão totalmente ligados ao processo de criação do ator, pois é visível a forma como estão inseridos na montagem.

Veja o que o ator Sérgio Agostinho nos contou após sua apresentação no festival:




Outras imagens do espetáculo.






Assista trechos do espetáculo:


1325
PERIPÉCIA TEATRO - Portugal
Duração: 75 minutos
Local: TEUNI - Teatro Experimental da UFPR
Quando: 29 e 30/3 às 12h.
Quanto: R$ 12,00

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Eiko Ishioka

Faz um tempo que estou ensaiando para criar um post a respeito de Eiko Ishioka , premiada figurinista, designer gráfica e artista multimídia, que morreu em janeiro deste ano vítima de um câncer no pâncreas aos 73 anos. Mais conhecida por seus figurinos ousados e surreais, atrelados à produções de fantasia e sinônimos de visuais arrebatadores, Eiko foi vencedora de um Oscar por “Drácula de Bram Stoker” (1992). Nascida em Tóquio em 12 de julho de 1938, ela sempre foi encorajada artisticamente por seu pai, um designer gráfico, que apesar do apoio também a alertou que seria mais fácil ser bem-sucedida em outra área que não a artística – felizmente, estava errado. Eiko se formou em 1961 na Universidade Nacional de Belas Artes de Tóquio e juntou-se à divisão de propaganda da gigante dos cosméticos Shiseido. Em 1973, recebeu o convite para desenvolver seu primeiro comercial – para a Parco, uma rede de complexos de butiques. A peça trazia uma mulher negra alta de biquini preto, d...

Entrevista com Alberto Renault

Renault recebeu recentemente o prêmio Shell RJ pela cenografia do espetáculo DOIS IRMÃOS, texto do italiano Fausto Paravidino com tradução de Fabiana Colasanti e direção de Cyntia Reis e Michel Blois. No elenco, Ana Lima, Diogo Benjamin e Pablo Sanábio. Renault também ficou responsável pela direção de Arte e os figurinos foram assinados por Felipe Veloso. A montagem que estreou no RJ em 2009, também se apresentou no Galpão do SESC Pompéia em São Paulo. o Manga que já tinha um olhar atento à este trabalho, após a premiação do Shell, convidou o artista para uma rápida entrevista. Alberto Renault, foto de seu blog Como se deu o seu encontro com os três atores e criadores do espetáculo? Um dos atores da peça, Diogo Benjamin , era meu assistente em outros trabalhos. Se me lembro bem, ele me chamou para dirigir a peça, eu que propus de fazer apenas o cenário ou uma direção de arte. Acabei realmente fazendo o cenário e dando uma consultoria em alguns assuntos c...

BARAFONDA - Cia. São Jorge de Variedades

Estive na tarde de sexta-feira, dia 4/6 acompanhando a Cia. São Jorge de Variedades pelas ruas do bairro da  "BARAFONDA", alias, Barra Funda - o primeiro é o nome da nova montagem da  premiada companhia. Com duração de 4 horas e com um trajeto de quase dois quilômetros, que confesso, não se percebe, o espetáculo tem início na Praça Marechal Deodoro, depois segue pela Rua Lopes de Oliveira, atravessa a linha do trem por uma passarela e termina na Praça Nicolau de Morais Barros. São 25 atores e 4 músicos em cena, 150 figurinos e dois pequenos carros alegóricos. Em 2010, entrevistei o coletivo de arte CASA DA LAPA , que novamente assina a direção de arte desse novo trabalho. Um grupo afinado com a pesquisa da cia. e que neste novo projeto parece traduzir ainda mais as aspirações estéticas da São Jorge. Materiais que são descartados pela cidade, aparecem em diversos adereços ou complementando  parte da cenografia que tem a cidade e...